Por que parei de tomar anticoncepcional?

Em 2013, no ano da minha viagem de formatura, recorri a um ginecologista para começar a tomar anticoncepcional e não passar os três dias no navio sem poder entrar na piscina ou me jogar no mar de Ilhabela. Ele me recomendou o Cerazette, mesmo anticoncepcional da minha mãe. Comecei a usar certinho, mas não funcionou. Precisei tomar dois comprimidos por dia para me livrar dos absorventes – o que deve ter feito uma bagunça no meu organismo.

por que parei de tomar anticoncepcional

Quando voltei da viagem, larguei a cartela amarela e passei a viver normalmente com aplicativos de período menstrual – uma maravilha, diga-se de passagem. O problema, infelizmente, é que minha cólica não me permite viver assim tão normalmente. Eu não tenho apenas um dinossauro no meu útero. É o Jurassic Park inteiro. Eu vomito, tenho dor de barriga, dor de cabeça, tontura, desmaios… Sabe todos os sintomas e dores? Então, eu tenho. E, por isso, não aguentei e busquei outra vez as pequenas pílulas, partindo dessa vez para o Iumi.

Deu certo? Sim. Minha cólica diminuiu consideravelmente, mas no 1º mês fiquei o cão chupando manga. Muito – mas muito – estressada, sensível, inchada, com a pele horrível, sem fome, querendo gritar com qualquer pessoa que visse pela frente. Meu corpo se acostumou e depois de um tempo esses sintomas passaram. Os escapes, por outro lado, se tornaram um incômodo recorrente. Mesmo depois da pausa de quatro dias, eu continuava menstruada. Tirando esses detalhes, meu peso, minha pele e outros aspectos continuaram iguais depois daquele mês terrível.

E apesar dos pesares, continuei firme no Iumi por quase um ano. Mas faz dez meses que diminui da fatura do meu cartão esses quarenta reais. Vamos ao motivo.

Quero deixar bem claro que reconheço o quanto a pílula modificou o papel social da mulher, auxiliou na libertação sexual e aumentou a nossa autonomia. Talvez, hoje em dia, a história não seja a mesma e o remédio nos é enfiado goela abaixo como se fosse somente nossa obrigação prevenir a gravidez porque o cara não gosta de usar camisinha. Existem mil opiniões sobre isso. Eu não desmereço, mas também não enalteço esses comprimidos.

Voltando ao assunto inicial do post, o principal fator para me fazer desistir da pílula, sinceramente, foi o medo. Medo após ler tantos relatos de mulheres que passaram por situações complicadíssimas graças a essas doses diárias de hormônios sintéticos. Nódulos, AVC, depressão, hipertireoidismo, enxaquecas, embolia pulmonar, trombose, parada cardíaca… Os possíveis riscos e o receio de descobri-los tarde demais me fez abrir mão do anticoncepcional. Sem contar os outros efeitos colaterais, como dores nas mamas e a diminuição da libido que se manifestaram no meu corpo – especialmente com o Cerazette.

Nenhum ginecologista me pediu um exame hormonal quando fui atrás da pílula. Ele simplesmente fez uma receita para a garota que nem sequer tinha iniciado a vida sexual e somente desejava interromper o fluxo por alguns meses. Futuramente, quando as cólicas se tornaram o problema, novamente nenhum exame foi feito. Nenhum. A própria ANVISA reconheceu falhas no sistema de controle desses efeitos e, ainda assim, milhares de meninas tomam o anticoncepcional sem uma avaliação médica apropriada.

Também tem o lado natural. Será que é certo enganar dessa maneira o meu organismo? Tomar remédio todos os dias? Bagunçar os meus hormônios? Além da exploração animal que ocorre nos processos de produção desse produto. Eu não preciso da pílula para não engravidar, pois não corro esse risco. Eu não preciso da pílula para tratar doenças como endometriose. Ela não diminuiu a minha acne e não cortou totalmente a minha cólica. Por que eu preciso dela? Na realidade, eu não preciso. E por isso decidi aboli-la da minha rotina.

 

Leia mais.

Autora: Luana Toro, do blog Entre Anas. O post foi publicado com a autorização da autora.

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